sexta-feira, 11 de abril de 2014

Gastos da Copa

Copa 2014 tem gastos públicos recordes
O Brasil tinha a chance de gerar lucro e mudanças importantes com a Copa do Mundo deste ano, sem realizar nenhum gasto público, como fez os Estados Unidos no evento de 1994. A poucos meses para os jogos se mostra o maior gastador de verbas do governo em Mundial de Futebol, em nome de um evento que deve beneficiar principalmente, ou apenas, a iniciativa privada. Que pode ainda gerar desemprego e outras consequências negativas. Qualquer coisa que se ganhe com a Copa de 2014, então, pode não se comparar ao preço que o país já começou a pagar. Uma das grandes paixões do brasileiro, que virou parte da cultura principalmente nas camadas mais pobres da sociedade, de onde sai, inclusive, a maior parte dos jogadores, agora se volta cada vez mais à elite.
Apenas um terço dos ingressos dos jogos da Copa estão disponíveis para o torcedor brasileiro pela distribuição inicial da Fifa, de acordo com artigo do blog do Rodrigo Mattos, no Uol Esporte. Com 12 cidades-sede, nenhum outro Mundial teve uma oferta de assentos tão grande, mas nem por isso os brasileiros ganharam facilidade para conseguir uma entrada, que não são baratas.
Os ingressos
Foram muitas as manifestações pelo Brasil inteiro contra os gastos na Copa. Muitos, inclusive, torcem para que dê tudo errado e ela não aconteça. Outros, animados com promessa de bom entretenimento, se empenharam para conseguir um ingresso para os jogos. A sorte, no entanto, não sorriu para todos. Em novembro, o Procon alertava que mais de seis milhões de torcedores que se inscreveram para o sorteio no site da Fifa, não foram devidamente informados sobre as etapas e critérios da seleção. Um sorteio obscuro, classificou o advogado Ricardo Amitay Kutwak.
 
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com as entradas da Copa do Mundo

O evento no Japão e na Coréia, em 2002, deixou grandes prejuízos para o primeiro país. Segundo o membro da comissão da Copa no Japão, Ichiro Hirose, o país não teve um planejamento estratégico para a utilização dos estádios após o evento e, como os custos de manutenção desses espaços são muito altos, tem enfrentado um prejuízo de cerca de U$ 5 milhões por ano ao governo japonês. O impacto, contudo, de acordo com o Dentsu Institute dor Human Studies, teria sido da ordem de US$ 24,8 bi na economia japonesa e de US$ 8,9 bi na economia coreana. 
A Copa na Alemanha, em 2006, custou US$ 6 bi, e o país recebeu 2 milhões de turistas. O setor público financiou um terço dos 2 bilhões de dólares gastos nas obras nos estádios. Não gastou quase nada e o lucro foi grande. Durante as quatro semanas, o incremento de receita gerado por gastos de turistas foi de 300 milhões de euros. Brenke e Wagner, todavia, constataram que o desemprego após a realização do evento tende a crescer. Gert Wagner, do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, por sua vez, analisou o impacto da Copa de 2006 como minúsculo diante da magnitude da economia alemã. Ainda assim, houve incremento no turismo. O gasto médio de turistas em 2005 na Alemanha era de 174 euros por dia, durante a Copa, o valor subiu para 400 euros. No ano seguinte, o país também registrou aumento de pernoites e chegada de turistas.
A Copa da África do Sul, em 2010, custou US$ 8 bilhões. Os investimentos em infraestrutura urbana foram muito elevados em comparação com a Alemanha, que já tinha a maior parte dos estádios e arenas, mas bem menor que os do Brasil. Os salários na África, porém, são menores que os da Alemanha, por exemplo, o que representa redução dos custos operacionais e de infraestrutura. O evento teve a previsão inicial de gastos de R$ 2,1 bilhões. A dívida sul-africana com as obras do Mundial eram de 4 bilhões de dólares para sediar a Copa, a mesma quantia que a Fifa anunciou como lucro. Para um país com tantas carências, como o Brasil, foi um grande gasto para dar lucro a uma empresa privada.
Maracanã inspirou diversos protestos pelo país e ficou marcado pelo custo das obras acima do previsto, assim como em outros projetos da Copa no Brasil.

O geógrafo Gaffney reforçou em entrevista para a Carta Capital que a Fifa conta com cinco ou seis pessoas comandando, ligadas diretamente ao Ricardo Teixeira. A estrutura, alertou, permite que ninguém assuma responsabilidades, pois quando surge um problema "o COL joga para o Ministério do Esporte, que pode jogar para a Infraero, que joga para a CBF, que diz que não tem nada com isso porque diz que os contratos são com as cidades, que pode jogar para o Estado, que pode jogar para a CBF. Não existe uma estrutura centralizada da Copa. E se você procura informações sobre a organização na internet, você chega só nas páginas da Fifa. Não há informações. E depois, quando apertar, a responsabilidade vai cair no colo do governo federal, como houve no Pan e na Olimpíada."
Estados Unidos não precisou realizar gastos públicos e ainda teve lucro.

No total, para todas as cidades-sede brasileiras, a previsão de aplicação de recursos do TCU é de R$ 8,3 bi em financiamentos federais, R$ 6,3 bi em recursos diretos federais, R$ 4 bi estaduais, R$ 1 bi municipais e R$ 4 bi de outras fontes - em um total previsto de R$ 25,9 bi. Artigo do pesquisador e consultor da Trevisan Gestão do Esporte e diretor da Trevisan Escola de Negócios, Fernando Trevisan, no Portal 2014, reforça que, além de empréstimos do BNDES, outra forma de presença de recursos públicos nos estádios é pela isenção de pagamento de tributos. Trevisan aponta que, de acordo com o Tribunal de Contas da União, o governo vai deixar de arrecadar RS 461 milhões - o que não chega a representar tanto, considerando que o setor automotivo deixou de pagar R$ 7,9 bilhões em tributos desde 2008, por conta de políticas de incentivo governamental.

Os Estados Unidos, durante a Copa de 1994, receberam 400 mil turistas e não precisaram gastar um centavo para receber o evento, já que toda a infra-estrutura estava pronta. De acordo com estudos da Universidade de Nova Iorque, o principal objetivo dos Estados Unidos em sediar a Copa do Mundo foi o de promover o futebol no país. Nova Iorque, São Francisco e Boston tiveram receita de U$ 1,45 bilhão. Na indústria hoteleira, o crescimento, em comparação com o ano anterior, foi de 10%, e na   indústria de alimentos e bebidas, de 15%.